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É preguiça mesmo.

São Bernardo do Campo, numa preguiçosa tarde de dezembro.

Querido e amado blog:

Se a preguiça deixasse, eu atualizaria você.

Sem mais,
Tiago Suavenave






Transmita essa ideia

sábado, 5 de novembro de 2011 Postado por Tiago Suavenave 0 comentários
PORQUE ATIRAR PEDRAS
SE PODEMOS DESTRIBUIR FLORES?

 

O violão no canto da sala


No canto da sala
o violão espera...
espera sentado.

Impacientemente imóvel
ele espera por dedos que o toquem...
dedos que o faça cantar.

Tiago Suavenave

Fernando Pessoa - Poema em Linha Reta

      POEMA EM LINHA RETA
    Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
    Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
    E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
    Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
    Indesculpavelmente sujo,
    Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
    Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
    Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
    Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
    Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
    Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;

    Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
    Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
    Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
    Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
    Para fora da possibilidade do soco;

    Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
    Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo.
    Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
    Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
    Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...

    Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
    Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;

    Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
    Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
    Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
     
    Ó príncipes, meus irmãos,
    Arre, estou farto de semideuses!
    Onde é que há gente no mundo?
    Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra?
    Poderão as mulheres não os terem amado,
    Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!

    E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
    Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
    Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
    Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.



Poética I - Vinicius de Moraes

Poética I

De manhã escureço
De dia tardo
De tarde anoiteço
De noite ardo.

A oeste a morte
Contra quem vivo
Do sul cativo
O este é meu norte.

Outros que contem
Passo por passo:
Eu morro ontem

Nasço amanhã
Ando onde há espaço:
- Meu tempo é quando.


"Vinicius de Moraes"

Travessia

Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.
 
Fernando Pessoa

O Barco

terça-feira, 31 de maio de 2011 Postado por Tiago Suavenave 0 comentários
O Barco
por Tiago Suavenave


Sou um barco boiando no meio do lago,
vou onde o vento me levar.
O que será de mim nos dias de primavera?

A verdade


A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar 
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,

porque a meia pessoa que entrava 
só trazia o perfil de meia verdade.

E sua segunda metade 
voltava igualmente com meio perfil.
E os dois meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.

Chegaram a um lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.

Era dividida em duas metades,

diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.

As duas eram totalmente belas.
Mas carecia optar. 

Cada um optou conforme
seu capricho, 
sua ilusão, 
sua miopia.

Carlos Drumond de Andrade

Memória fraca?

terça-feira, 10 de maio de 2011 Postado por Tiago Suavenave 0 comentários
A vantagem de ter péssima memória é divertir-se muitas vezes com as mesmas coisas boas como se fosse a primeira vez.

Nietzsche - o louco

Escolha - Lya Luft

domingo, 25 de julho de 2010 Postado por Tiago Suavenave 0 comentários
Postagem dedicada a minha amiga Samira, que sábado passado me mostrou esse belo poema.


Escolha


Apesar do medo
escolho a ousadia.
Ao conforto das algemas, prefiro
a dura liberdade.
Vôo com meu par de asas tortas,
sem o tédio da comprovação.

Opto pela loucura, com um grão
de realidade:
meu ímpeto explode o ponto,
arqueia a linha, traça contornos
para os romper.

Desculpem, mas devo dizer:
eu quero o delírio.

Lya Luft

DEVANEIO


As vezes paro de pensar.
Ai o pensamento pensa sozinho,
livre de mim.

Tiago Mends

Quando ela fala - Machado de Assis

Quando ela fala, parece
Que a voz da brisa se cala;
Talvez um anjo emudece
Quando ela fala.

Meu coração dolorido

As suas mágoas exala,
E volta ao gozo perdido
Quando ela fala.

Pudesse eu eternamente,

Ao lado dela, escutá-la,
Ouvir sua alma inocente
Quando ela fala.

Minha alma, já semimorta,

Conseguira ao céu alçá-la
Porque o céu abre uma porta
Quando ela fala.

Poema de Machado de Assis

A culpa é de quem?

Com apenas um
você pode mudar o futuro.



Olhe bem para cada um deles.

Olhou?



Pois bem, o futuro do

está em suas


Se algo der errado, a culpa será

Pense bem.

Porque eu canto? Porque...

Quem canta
espanta os males,
encanta os ares,
trás alegria.

Quem canta
faz do choro, riso
e faz da noite,
dia.

Quem canta floresce,
pois quem canta, dança.
E quem dança
não envelhece.

Quem canta vive
ao invés de sobreviver.
Quem canta é criança,
e criança pra sempre vai ser.

Tiago Mends